NEACA Duque de Caxias completa dois anos fortalecendo a rede de proteção
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Núcleo do Movimento de Mulheres atua no acolhimento e acompanhamento de crianças, adolescentes e famílias vítimas de violência e amplia articulação com a rede de garantia de direitos

Arte: ASCOM/NEACA TR
O Núcleo de Duque de Caxias do Projeto NEACA Tecendo Redes completa dois anos de atuação nesta quarta-feira (20). Realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o projeto conta com a parceria da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da rede de proteção e para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência.
Ao longo desse período, o NEACA Caxias vem desenvolvendo um trabalho de acolhimento, escuta, acompanhamento e articulação com diferentes serviços e instituições que integram o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente no município.
Para a gestora e coordenadora geral do Projeto NEACA Tecendo Redes, Marisa Chaves, a data é motivo de alegria e também representa a importância do trabalho construído coletivamente no território.
“Eu quero aqui agradecer a todos os operadores do Sistema de Garantia dos Direitos de Duque de Caxias, a nossa equipe querida, que tanto se dedica e entrega a proteção integral de crianças e adolescentes, a Prefeitura de Duque de Caxias, aos conselhos tutelares, aos centros especializados de atendimento à mulher, aos CRAS, aos CREAS e a todos os serviços que compõem essa rede integrada e articulada, cujo objetivo é proteger integralmente crianças e adolescentes de qualquer tipo de violência”, destacou Marisa.
Segundo a coordenadora, o trabalho desenvolvido pelo NEACA busca justamente complementar a rede existente e contribuir para que crianças, adolescentes e suas famílias não permaneçam sozinhos diante das situações de violência.
“Juntos e juntas, somos muito mais fortes e eu acredito que o NEACA vai continuar aprendendo com vocês e contribuindo para complementar essa rede de cuidados e de proteção”, afirmou.
Uma experiência que se amplia
O Projeto NEACA Tecendo Redes já possui uma trajetória consolidada em São Gonçalo, onde atua há duas décadas. Em Itaboraí, o projeto está presente há cinco anos. A chegada a Duque de Caxias ampliou a experiência do MMSG na construção de redes de proteção em diferentes territórios.
Marisa Chaves destaca que os dois anos de atuação em Caxias também reforçam a necessidade de iniciativas especializadas voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência.
“Nesse período, nós temos percebido a urgência de existir muitos NEACAs por todo o estado do Rio de Janeiro e pelo Brasil afora, porque nós somos um núcleo especializado de atendimento para criança e adolescente que, infelizmente, tiveram suas vidas marcadas por violências praticadas por quem deveria protegê-los”, ressaltou.
A coordenadora avalia que a experiência construída nesses territórios pode contribuir para o fortalecimento de outras redes de proteção.
“Eu tenho uma expectativa de que outras cidades vão verificar essa prática que está em experimentação e já tem se comprovado como uma boa prática, para que possamos colaborar com outros Sistemas de Garantia de Direitos por todas as cidades que nos chamarem”, afirmou.
Violência contra crianças e adolescentes exige atuação em rede
Para a coordenadora técnica do NEACA Caxias, Fernanda Sette, completar dois anos significa também fazer um balanço da trajetória construída, dos desafios enfrentados e dos avanços alcançados na consolidação de uma rede de proteção mais articulada.
“Completar dois anos de trabalho significa muito mais do que comemorar uma data. Significa olhar para a nossa trajetória, reconhecer os desafios que enfrentamos, as histórias que acompanhamos e, principalmente, perceber o quanto conseguimos avançar na construção de uma rede de proteção mais fortalecida e comprometida com os direitos de crianças e adolescentes”, afirmou.
Fernanda explica que o NEACA chegou a Duque de Caxias com a missão de acolher, escutar e acompanhar crianças, adolescentes e famílias, contribuindo para a redução dos danos provocados pelas diferentes formas de violência.
Segundo ela, os números registrados no município demonstram a dimensão do problema. Somente o Hospital Infantil Ismélia da Silveira registrou 64 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2024 e outras 40 notificações em 2025. Até o período de divulgação da campanha Maio Laranja de 2026, outras 13 notificações já haviam sido registradas.
“Esses números representam muito mais do que estatísticas. Por trás de cada número existe uma criança, um adolescente, uma família, uma história e, muitas vezes, uma vida marcada por uma experiência que jamais deveria ter acontecido”, destacou Fernanda.
Atendimento interdisciplinar
Para Fernanda Sette, é justamente diante dessa realidade que o trabalho desenvolvido pelo NEACA se torna necessário. A atuação não se limita ao atendimento individual, mas procura compreender cada situação considerando os contextos social, familiar e comunitário.
O trabalho é desenvolvido de maneira interdisciplinar, envolvendo áreas como Serviço Social, Psicologia, Direito e Pedagogia.
“Sabemos que a violência não produz apenas uma consequência e, por isso, também não pode ser enfrentada por uma única área. Precisamos fortalecer os vínculos, garantir acesso aos direitos, orientar as famílias, prevenir novas violações e, acima de tudo, garantir que crianças e adolescentes sejam reconhecidos como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento”, afirmou.
A coordenadora técnica também destaca que a atuação do NEACA depende diretamente da articulação com os demais serviços e instituições.
“O NEACA não constrói essa história sozinho. Nós somos parte de uma rede. E uma rede de proteção só funciona quando existe diálogo, compromisso, articulação e responsabilidade compartilhada”, ressaltou.
Ao longo dos dois anos, o núcleo ampliou o diálogo com diferentes instituições e serviços do município, fortalecendo parcerias e a presença do projeto no território.
“Cada encontro, cada encaminhamento, cada reunião, cada atendimento e cada articulação contribuíram para fortalecer esse trabalho”, acrescentou Fernanda.
Trabalho que transforma
A diretora executiva do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, Oscarina Siqueira, também destacou a importância da trajetória construída pelo NEACA em Duque de Caxias.
“É com muita satisfação que comemoramos os dois anos do NEACA Caxias. É uma iniciativa do MMSG que deu certo. Fomos bem recebidos e acolhidos. A população está gostando, sobretudo as autoridades locais. Vamos continuar fazendo diferença em Caxias”, afirmou.
Para a diretora executiva do MMSG, Oscarina Siqueira, a receptividade encontrada em Duque de Caxias foi fundamental para a construção do trabalho.
“Eu percebo que nós fomos abraçados. Duque de Caxias abraçou o NEACA. É importante recepcionar quando a violência acontece, acompanhar para a superação dos agravos e reorganizar, ajudar na reorganização das famílias para que elas consigam ter alta do atendimento continuado e especializado proporcionado pelo NEACA, mas que sigam em frente com direito a brincar, com direito a sorrir, com direito a se desenvolver”, concluiu Oscarina.
Atendimento em três municípios
Criado em 2024, o projeto NEACA Tecendo Redes, em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, atua no enfrentamento às violências domésticas e sexuais e no apoio à capacitação de jovens em situação de vulnerabilidade social. O projeto abrange os municípios de São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias, contribuindo para a promoção e a garantia dos direitos humanos de mulheres, crianças, adolescentes e jovens até 29 anos.
Segunda a sexta, das 9h às 17h:
NEACA São Gonçalo: Rua Rodrigues Fonseca, 201 – Zé Garoto. (21) 2606-5003 / (21) 98464-2179
NEACA Primeira Infância (SG): Rua Rodrigues Fonseca, 313 – Zé Garoto. (21) 96750-1595
NEACA Itaboraí: Rua Antônio Pinto, 277 – Nova Cidade. (21) 98900-4246
NEACA Caxias: Rua General Venâncio Flores, 518 – Jardim 25 de Agosto. (21) 96750-3095




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