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Sou Mulher, eu posso!

‘Hoje é dia de luta! Não é dia de flores, nem de chocolates’, conclama Marisa Chaves, gestora do MMSG, durante mobilização, em São Gonçalo, no Dia Internacional da Mulher (8M)   


Marisa Chaves (com megafone) fala sobre a importância da luta pelas garantias de direitos das mulheres e no combate à violências doméstica, durante mobilização do 8M, na Praça do Rodo, Centro de São Gonçalo


“Quem você pensa que é?”perguntou pra mim de queixo em pé…Sou forte, fraca, generosa, egoísta, angustiada, perigosa,infantil,astuta,aflita,serena,indecorosa,inconstante,persistente,sensata e corajosa,como é toda mulher,poderia ter respondido,mas não lhe dei essa colher" (Poema de Martha Medeiros) 

Com o slogan ‘Sou mulher, eu posso’, o Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) realizou uma mobilização, na sexta-feira (8), na Praça do Rodo, no Centro (SG). A ação celebrou o Dia Internacional da Mulher (8M) e reafirmou o compromisso da entidade em continuar lutando pela promoção de direitos e na articulação de ações preventivas ao combate à violência doméstica e sexual contra mulheres, crianças, adolescentes e jovens, em suas diversas expressões de gênero. No evento, além de abordagens educativas, foram distribuídos panfletos e cartilhas informativas sobre garantias de direitos e locais de atendimentos realizados pela equipe técnica do MMSG, que conta com assistentes sociais, psicólogos, educadores e advogados.          


“Hoje é dia de luta, não é dia de flores, nem de chocolates. Estamos nas ruas, com as militantes do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, reivindicando políticas públicas. Lutaremos sempre por um mundo mais justo, onde mulheres possam ser livres, exerçam seus direitos e não sejam  alvos de violência”, reiterou, Marisa Chaves, gestora do MMSG.  

Chaves aproveitou a mobilização para alertar sobre o aumento dos ‘feminicídios’ no Brasil. Em 2023, o país registrou 1.463 mortes, sendo um caso a cada 6 horas, representando um acréscimo de 1,6% em relação ao ano de 2022, conforme relatório publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). “Temos que nos unir e mudarmos essa triste realidade”, conclamou Marisa, que, usando um megafone, aguardou o sinal de ‘pare’ do semáforo, na principal via da cidade, para conversar com  motoristas e pedestres, sobre o aumento da violência contra as mulheres. “No Estado do Rio foram registrados 99 feminicídios, em 2023. Vamos continuar denunciando os crimes, avançando pelas garantias de direitos das mulheres e exigindo políticas públicas de prevenção às violências”, completou.  


‘Seremos sempre rainhas’


Oscarina Souza Siqueira, 77 anos, diretora executiva do MMSG, encarou o sol forte e foi à mobilização do 8M para ressaltar a importância das conquistas das mulheres negras. Para a diretora, seus ancestrais estão felizes, pois, a despeito da população ‘negra’ ainda travar lutas contra o preconceito e discriminações, houve maior ocupação em lugares, meramente impensáveis há alguns anos, como o mercado de trabalho, a política e a cultura. Há 30 anos na entidade, Oscarina, no entanto, reconhece que muitos direitos das mulheres ainda são negligenciados.     


“Ainda estamos vivendo uma fase de lutas, entre reviravoltas e reconhecimentos. Infelizmente, ainda lutamos contra o racismo e muitos direitos conquistados pelas mulheres são negligenciados. Mas estamos avançando e nossos ancestrais negros estão felizes com as nossas conquistas. Vejo mais liberdade e o ‘povo preto’ conquistando posições importantes na sociedade. Por tudo que passamos, costumo dizer, que, nós, mulheres negras, sempre seremos rainhas. Estou no MMSG, há 30 anos, e acredito que nossa luta não foi em vão”, ressalta a diretora.

Em frente ao obelisco da Praça do Rodo, Grupo de mulheres negras repudiou o racismo, a discriminação e reivindicou mais oportunidades de trabalho, durante a mobilização, no Dia Internacional da Mulher (8M)


'Acesso ao conhecimento é uma das maiores conquistas das mulheres'


Para a ex-professora de matemática Sônia Maria Lopes Figueiredo, de 77 anos, uma das maiores conquistas das mulheres é o acesso ao conhecimento. Com a camisa oficial do evento e empunhando um cartaz, ela foi enfática: “Há alguns anos, a mulher não tinha, como hoje, as inúmeras possibilidades de ingressar na escola ou em uma universidade. Sou grata, pois, quando nova, optei por um curso científico, diferente da maioria das meninas, que seguiam para o chamado curso pedagógico. Me formei em matemática, ciências contábeis e administração de empresas. Trabalhei 33 anos ministrando aulas. Hoje, sou feminista militante e ensino meus netos resolverem equações ”, disse, animada, a ex-professora.


A estudante de ensino médio Maria Eduarda Silva, 18 anos, parou para observar a mobilização. Ela pretende cursar Direito e ser militante no combate à violência contra as mulheres. “Estava passando e fui abordada por uma militante. Recebi um folheto sobre o Dia das Mulheres. Fico triste com a  violência doméstica. Acredito que a minha geração de mulheres será empoderada. Não vamos permitir que os homens usem a violência para impor as suas vontades”, argumenta a estudante, que aproveitou o intervalo da aula, em uma escola particular da região, para observar o movimento na Praça do Rodo.


Uma das organizadoras da mobilização, a psicóloga Cristiane Pereira agradeceu a presença de todos colaboradores. Para Pereira, o evento atingiu o seu objetivo.


“Agradecemos a todas colaboradoras. É sempre bom vermos as mulheres nas ruas. Hoje, tivemos a presença dos ‘meninos’ também, que, nos ajudaram na mobilização. Ressaltamos que esse ato 8M  teve o objetivo de divulgar o trabalho do MMSG, orientar as pessoas, além de promover a garantia de direitos e a prevenção às violências domésticas e sexuais contra mulheres, crianças, adolescentes e jovens”, disse Cristiane,  coordenadora do Projeto Neaca Tecendo Redes, em São Gonçalo.           

Após articulação do MMSG, família obteve sentença favorável à requalificação pós-morte de mulher trans assassinada em SG


Durante o evento, Marisa Chaves citou a morte da mulher trans, passista e cantora Amanda Soares, de 23 anos, assassinada no último dia 1 de fevereiro, no bairro Jardim República, em São Gonçalo. Na manhã de sexta-feira (8), antes de ir à mobilização, Chaves participou, ao lado da família, de uma histórica e emblemática decisão do juiz André de Souza Brito, que determinou a requalificação pós-morte do registro civil da Amanda. Ela havia sido ‘sepultada’ com nome civil masculino, pois, por uma exigência legal, o cartório se recusou a emitir o atestado de óbito com o nome social da trans.


“A decisão do juiz André Brito representa um avanço, tanto no âmbito da Justiça, quanto no simbolismo representativo, pois joga ‘luz’ na luta da população ‘trans’ ao combate à violência, discriminação e preconceitos arraigados, há anos, em nossa sociedade. “Estamos felizes. No Dia da Mulher, essa decisão representa um avanço no combate às violências de gênero e doméstica em todo o país. Estou impressionada com a disposição e firmeza da decisão do magistrado, pois, mostrou sensibilidade e celeridade no cumprimento das garantias de direitos”, reitera Chaves.


Caso Amanda: primeira retificação pós-morte em São Gonçalo


Para a mulher trans Stefani Brasil, de 53 anos, integrante do Centro de Referência LGBT/SG, o caso Amanda entra para história como a primeira requalificação pós-morte registrada em São Gonçalo.


“A Amanda era muito querida, alegre, espontânea. Tinha um futuro brilhante, mas, infelizmente, teve a vida ceifada após crime de ódio. Ela foi vítima de transfobia. Contudo, apesar da saudade, deixará um legado de luta à causa LGBT e entra para história como o primeiro caso de requalificação pós-morte registrada na cidade”, afirma Stefani.

Lei- Amanda de Souza Soares está prestes a se tornar um símbolo na luta pelos direitos dos ‘transexuais’ e no combate aos ‘transfeminicídios’ no Brasil. Após articulação do Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), Amanda será homenageada e dará nome a um projeto de lei, de autoria do deputado estadual Carlos Minc, que ampliará as garantias de direitos à população ‘trans’.


Ao lado de Marisa Chaves (D), Stefani Brasil (E) segura a bandeira símbolo do Centro LGBT em São Gonçalo, durante o evento, e celebra a primeira requalificação pós-morte da passista Amanda Soares


Equipamentos do MMSG atenderão vítimas de violência em três municípios


Durante a mobilização do Dia Internacional da Mulher, Marisa Chaves,   destacou o início do Projeto NEACA Tecendo Redes, que conta com a parceria da Petrobras, e receberá as demandas relativas às violências domésticas e gênero. O projeto tem como objetivo contribuir para a promoção, prevenção e garantia dos direitos humanos de crianças, adolescentes e jovens.


O NEACA (Núcleo Especial de Atendimento à Criança e Adolescente Vítimas de Violência Doméstica e/ou Sexual) visa o atendimento às vítimas expostas às diversas formas de violência no âmbito da convivência familiar, priorizando a proteção social especial, através da oferta de um atendimento humanizado, que se baseie na metodologia da escuta ativa e sensível e na realização de um trabalho articulado em redes. Os núcleos atenderão nos municípios de São Gonçalo, Duque de Caxias e Itaboraí.   


Além da expansão da cobertura territorial do NEACA, cabe destacar a ampliação da faixa etária dos participantes do projeto para atendimento especializado até 29 anos de idade. Serão equipamentos especializados para atendimentos continuados e interdisciplinares, articulados em redes, com os órgãos que integram o Sistema de Garantia de Direitos.


Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, nos endereços abaixo:   


NEACA (SG)- Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)

NEACA (Itaboraí)- Rua Antônio Pinto, 277, Nova Cidade. (21 98900-4246).    

 

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