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RECRIA encerra ciclo do “Projeto de Vida” com jovens aprendizes

há 18 minutos
4 min de leitura

Atividade trabalhou autoconhecimento, vínculos, protagonismo e escolhas profissionais durante três encontros realizados pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo


Jovens participaram da dinâmica baseada na ideia de “três portas”, representando diferentes possibilidades para o futuro

Foto: ASCOM/MMSG


Realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o Projeto RECRIA promoveu, na quarta-feira (9), no auditório da instituição, no Zé Garoto, o último encontro do “Projeto de Vida”, atividade integrante da capacitação de jovens aprendizes.


Realizada anualmente pelo RECRIA, a iniciativa ganhou uma nova proposta nesta edição e foi desenvolvida ao longo de três encontros, com o objetivo de estimular os adolescentes a refletirem sobre suas trajetórias, vínculos, desejos, possibilidades e escolhas para o futuro.


De acordo com a psicóloga Ana Beatriz Barreto (RECRIA), os primeiros encontros foram dedicados ao processo de autoconhecimento e à compreensão das relações que fazem parte da formação dos jovens.


“Falamos sobre quem eles eram, sobre os vínculos que faziam parte dessa constituição, sobre as influências e como esses vínculos — grupos de pertencimento, família e escola — influenciam até mesmo nas escolhas deles. Passamos dois encontros tentando situá-los no próprio desejo para, a partir disso, no último encontro, podermos construir algo sobre as escolhas profissionais”, explicou.

Na etapa final, os jovens participaram de uma dinâmica baseada na ideia de “três portas”, representando diferentes possibilidades para o futuro: uma porta que gostariam de abrir; outra que nunca haviam considerado, mas que passou a fazer sentido a partir da reflexão sobre quem são; e uma terceira que representava uma escolha considerada difícil, mas não impossível.


Psicólogas Beatriz Barreto (E) e Thainá Matos (D) durante atividades educativas e dinâmicas com jovens na sede do MMSG

Foto;ASCOM/MMSG


Inserção profissional


Segundo Ana Beatriz, a proposta também buscou desconstruir a ideia de que determinadas profissões estão necessariamente fora do alcance dos adolescentes.


“Tem algumas profissões que são socialmente colocadas nesse lugar de dificuldade, seja pelo acesso à graduação ou pela própria inserção profissional. Algumas pessoas acabam não escolhendo o que querem porque têm medo de como será sustentar essa escolha”, destacou.

Para a psicóloga, o processo desenvolvido durante os três encontros possibilitou uma aproximação maior com os adolescentes e contribuiu para que eles pudessem olhar para si mesmos de maneira mais consciente.


“Foi um processo muito gostoso esses três encontros, conhecê-los e fazer parte também desse processo de autoconhecimento deles”, afirmou.

Protagonismo e construção do futuro


A psicóloga Thainá Matos (RECRIA) ressaltou que, ao longo das atividades, alguns adolescentes perceberam que as certezas que tinham inicialmente sobre suas escolhas profissionais não eram necessariamente desejos próprios, mas expectativas projetadas por outras pessoas.


“Tínhamos adolescentes que chegaram dizendo que sabiam o que queriam fazer e, ao longo dos encontros, se deram conta de que não tinham tanta convicção. Perceberam que esse querer, na verdade, nem era deles, era projetado sobre eles”, contou.

A partir dessa percepção, o trabalho buscou estimular os jovens a assumirem o protagonismo sobre suas próprias trajetórias e a compreenderem que a escolha profissional não precisa ser encarada como uma decisão definitiva.


Diferenciar habilidades e escolhas

Segundo a psicóloga Ana Beatriz Barreto, é importante diferenciar habilidades e escolhas. Segundo ela, os testes vocacionais podem identificar determinadas habilidades, mas isso não significa necessariamente definir aquilo que uma pessoa deseja para sua vida.


“Quando a gente fala de teste vocacional, estamos falando sobre habilidades, não sobre escolha. Habilidades são muito importantes, mas existem coisas que podem ser construídas”, explicou.

Beatriz Barreto utilizou a própria trajetória profissional como exemplo para mostrar que determinadas habilidades podem ser desenvolvidas ao longo do caminho.


“Antes de me tornar psicóloga, eu nunca me imaginei à frente de uma turma falando em público. Se eu levasse isso em conta, talvez a psicologia nunca parecesse uma opção possível para mim. Mas ela era uma opção possível porque eu queria e porque eu estava projetando”, relatou.

O futuro como possibilidade


O último encontro encerrou o ciclo reforçando a importância do protagonismo juvenil e da capacidade de cada adolescente reconhecer seus próprios desejos e construir escolhas que tenham significado para sua trajetória.


“Foi um convite para que eles assumam o próprio protagonismo da vida e possam usar essa percepção que tiveram de si para pensar nas escolhas que de fato façam sentido para eles, profissionalmente ou não”, concluiu Beatriz.

MMSG: proteção e acolhimento de crianças e adolescentes


O Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) é uma organização da sociedade civil que atua há 37 anos na defesa dos direitos das mulheres, no enfrentamento às desigualdades de gênero e na promoção da cidadania e da justiça social.


A instituição desenvolve projetos voltados à proteção e ao acolhimento de crianças e adolescentes vítimas de violências, entre eles o Projeto NEACA Tecendo Redes, realizado em parceria com a Petrobras; o Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítimas de Violência (NACA), que conta com apoio da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA); e o RECRIA, projeto apoiado pela Subsecretaria de Política Inclusiva da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro.


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