Proteção também é digital: Vozes Periféricas debate desafios do ECA Digital no Complexo do Salgueiro
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Roda de conversa reuniu cerca de 50 participantes e abordou temas como cyberbullying, aliciamento, exploração sexual online, exposição indevida de imagens e os impactos das redes sociais na saúde mental

Palestra sobre ECA Digital contou com a participação e interação de integrantes do Projeto Vozes Periféricas no Salgueiro
Foto: ASCOM/MMSG
O Projeto Vozes Periféricas, realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), promoveu, na quarta-feira (15/7), uma palestra sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), na sede da unidade localizada no Conjunto da Marinha, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
A atividade foi conduzida pelo jornalista e analista de comunicação do MMSG, Charles Rodrigues, e contou com a participação da gestora do MMSG, Marisa Chaves, e da jornalista e ativista cultural Cris Souza, criadora do Projeto Vozes Femininas.
Cerca de 50 pessoas, entre mulheres integrantes do Projeto Vozes Periféricas, crianças e adolescentes, participaram da formação, realizada em formato de roda de conversa, com o objetivo de estimular o diálogo, a escuta e a troca de experiências sobre os desafios relacionados à proteção no ambiente digital.
Impactos das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes
Durante a atividade, foram discutidos temas como cyberbullying, aliciamento, exploração sexual online, exposição indevida da imagem, discursos de ódio e o uso da inteligência artificial para a produção de conteúdos não consensuais. Também foram abordados os impactos das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes.
Em formato de roda de conversa, as participantes refletiram ainda sobre a importância da educação midiática, da escuta qualificada e da atuação integrada do Sistema de Garantia de Direitos diante das novas formas de violência mediadas pelas tecnologias digitais.
Cerca de 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet
Segundo dados apresentados durante a formação, 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet, sendo o celular o principal meio de acesso. O levantamento também aponta que uma em cada cinco pessoas dessa faixa etária sofreu algum tipo de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia no período de um ano, evidenciando a necessidade de fortalecer ações de prevenção e proteção.

Charles Rodrigues destacou importância do ECA Digital para ampliação da proteção contra as violências no mundo virtual
Foto: ASCOM/MMSG
Jornalista destacou importância dos mecanismos de proteção
Ao longo da apresentação, Charles Rodrigues destacou que o ECA Digital não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, mas amplia os mecanismos de proteção diante das novas formas de violência presentes na sociedade conectada.
“Discutir o ECA Digital é discutir o presente e o futuro da proteção integral. As tecnologias transformaram profundamente a vida de crianças e adolescentes, e isso exige novos olhares, novas práticas e uma atuação interdisciplinar. Mais do que falar sobre internet, estamos falando de direitos humanos, saúde mental, escuta qualificada, vínculos e cidadania”, afirmou.
Enfrentamento às violências praticadas também no ambiente virtual.
A gestora do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, Marisa Chaves, ressaltou a importância da formação permanente para fortalecer o diálogo entre famílias e a rede de proteção além de ampliar a capacidade de prevenção e enfrentamento às violências praticadas também no ambiente virtual.
“Vivemos um momento em que grande parte das violências contra crianças e adolescentes também acontece no ambiente virtual. Por isso, é fundamental que integrantes de nossos projetos estejam preparados para identificar esses sinais e atuar de forma integrada com toda a rede de proteção. O ECA Digital representa um avanço importante na garantia de direitos e reforça que proteger crianças e adolescentes também significa promover educação digital, prevenção e responsabilidade coletiva”, destacou Marisa.

Marisa Chaves falou da oportunidade das famílias conhecerem a temática para o enfrentamento aos crimes na Internet
Foto: ASCOM/MMSG
Mais de 3 mil mulheres beneficiadas
O Projeto Vozes Periféricas conta com o apoio da Brazil Foundation e recursos da Rare Impact Fund, fundação da cantora e pop star internacional Selena Gomez. O projeto tem como objetivo fortalecer a autoestima e o protagonismo de mulheres residentes em territórios de favelas, especialmente no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A iniciativa promove o acesso à informação e ao conhecimento de direitos, além de oferecer acompanhamento especializado interdisciplinar nas áreas de Serviço Social, Psicologia e Jurídico.
O projeto já beneficiou 3.301 mulheres por meio da distribuição de cestas básicas e doação de absorventes. Atualmente, cerca de 60 mulheres são impactadas diretamente pelas ações e outras 240 pessoas são alcançadas indiretamente.
Parcerias de sucesso e novos projetos
Marisa Chaves agradeceu a todos os parceiros, entre entidades públicas e privadas. Além de ajuda internacional como a ‘Brazil Foundation’ e Fundação Rare Beauty, que apoiam o MMSG em seus projetos, no Brasil o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, da Fundação Banco do Brasil e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
Não se cale. Violência contra a mulher não tem desculpa, tem lei. Ligue 180 e denuncie!
Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
MMSG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)
