Mulheres marcham pela vida e denunciam mortes maternas no Leste Fluminense
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Mobilização reuniu movimentos sociais, coletivos e instituições em defesa da saúde das mulheres e da retomada das obras da maternidade estadual paralisada há mais de 10 anos

Caminhada saiu da Passarela do Coelho em direção ao prédio inacabado da maternidade estadual às margens da RJ-104
Foto:ASCOM/MMSG
O Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) participou, na quinta-feira (28/5), da marcha contra a violência obstétrica realizada em São Gonçalo. O ato público reuniu movimentos sociais, instituições e coletivos em defesa da retomada das obras do Hospital da Mãe, no Colubandê, paralisadas há mais de uma década.
A mobilização aconteceu no Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. A caminhada saiu da Passarela do Coelho em direção ao prédio inacabado da maternidade estadual.
Crise na saúde materna no estado
De acordo com a vice-diretora do MMSG, Fátima Maria dos Santos, conhecida como Fátima Cidade, o ato teve como objetivo chamar atenção das autoridades para a crise na saúde materna no estado.
“Estamos reunidas hoje para chamar a atenção das autoridades, principalmente do governo do Estado, diante da gravidade da morte materna. As mulheres estão morrendo por falta de vagas e atendimento adequado”, afirmou.
Segundo Fátima Cidade, a ausência de uma maternidade de alta complexidade impacta diretamente as mulheres da Região Metropolitana 2.
“Muitas mulheres morrem no Pronto Socorro Central de São Gonçalo ou precisam ser transferidas para municípios distantes. O Hospital da Mãe seria fundamental para evitar essas mortes”, destacou.
A marcha reuniu representantes do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, Fórum de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro, Fórum Popular de Mulheres de São Gonçalo e outras organizações da sociedade civil.

Ação mostrou o descaso das autoridades e o 'esqueleto' da obra paralisada há 10 anos do Hospital da Mãe no Colubandê
Foto: ASCOM/MMSG
'Perdi uma irmã por negligência médica e violência obstétrica'
Durante o ato, Leila Santos (Rede Emancipa) relembrou a morte da irmã por negligência médica e violência obstétrica e denunciou o impacto do racismo institucional na saúde pública.
“Minha irmã morreu por negligência médica. Já são 27 anos de dor. A maioria das mulheres que sofrem descaso nos hospitais são mulheres negras e periféricas. Estamos lutando para sobreviver”, declarou.
'Retomada da obra é uma urgência'
A ex-vereadora e militante Janilce Magalhães classificou a retomada das obras como uma urgência para as mulheres do Leste Fluminense.
“Estamos aqui lutando pela conclusão desta obra como um grito de sobrevida para as mulheres da região”, afirmou.

Manifestantes lamentaram as mortes maternas que poderiam ser evitadas com a retomada das obras da unidade em SG
Foto:ASCOM/MMSG
'Maioria das mortes maternas poderiam ser evitadas'
A vice-diretora do MMSG e pesquisadora da Fiocruz, Rita de Cássia Vasconcelos da Costa, ressaltou que a maioria das mortes maternas poderia ser evitada.
“90% das mortes maternas são evitáveis. Estamos mobilizados para alertar que essa realidade pode mudar. Nenhuma mulher deveria morrer na hora do parto”, afirmou.
Rita também destacou que famílias podem denunciar casos de violência obstétrica.
“Recebemos denúncias de mulheres e bebês que sofreram violência obstétrica. Não é possível que um hospital fique abandonado por mais de 10 anos enquanto mulheres seguem morrendo”, declarou.

Segundo a professora da Fiocruz e vice-diretora do MMSG, Rita da Costa, cerca de 90% das mortes maternas são evitáveis
Foto:ASCOM/MMSG
'Temos que lutar em defesa da dignidade das mulheres'
A diretora executiva do MMSG, Oscarina Siqueira, reforçou que a luta pelo funcionamento do Hospital da Mãe representa a defesa da dignidade das mulheres.
“Precisamos garantir o direito de parir com dignidade. Não é a primeira vez que estamos nas ruas reivindicando esse hospital humanizado para as mulheres da nossa região”, afirmou.
Os manifestantes encerraram o ato defendendo a continuidade das mobilizações e cobrando a retomada imediata das obras do Hospital da Mãe.
Cerca de 30% das mulheres atendidas em hospitais privados e 45% na rede pública sofrem algum tipo de violência obstétrica.
A violência obstétrica agrava o cenário de mortalidade materna no Brasil, sendo considerada uma questão estrutural de saúde pública e de violação de direitos humanos. Embora a causa direta dos óbitos seja frequentemente associada à hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia) e a hemorragias, a negligência, a violência institucional e a falta de assistência adequada potencializam esses riscos.
Estudos como o "Nascer no Brasil", da Fiocruz, indicam que cerca de 30% das mulheres atendidas em hospitais privados e 45% na rede pública sofrem algum tipo de violência obstétrica.
Os episódios mais comuns incluem a recusa de analgesia, gritos, violência verbal e a realização de procedimentos dolorosos ou intervenções desnecessárias sem o consentimento da gestante.

Manifestantes estenderam uma das faixas de protesto contra a violência obstétrica no alto da passarela do Coelho em SG
Foto: ASCOM/MMSG
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
MMSG é uma entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 37 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Além de ajuda internacional da ‘Brazil Foundation’ e a Fundação Rare Beauty, o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, Instituto Profarma, CEDAE, da Fundação Banco do Brasil e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
Rodas de conversa com gestantes e puérperas
Organizado pelo MMSG, a Projeto Rodas de conversa com gestantes e puérperas tem encontros quinzenais (Centro/Salgueiro) e consiste em atividades programadas e livres, tais como: participação em seminários, fóruns, palestras em universidades e comunidades, chás de bebê, conferências livres , manifestações públicas, controle social sobre os serviços e incentivo à participação das mulheres nas reuniões do Conselho de Defesa da Mulher.
MMSG- Rua Rodrigues da Fonseca, 201 - Zé Garoto/(21) 2606-5003 /(21) 98464-2179Rodas
