Movimento de Mulheres ocupa praça no Centro de São Gonçalo em ato contra feminicídios
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Ato público alertou para o aumento da violência contra mulheres em todo o Brasil

Manifestantes realizaram protestos e abordagens no semáforo em frente ao shopping Partage no centro de São Gonçalo
Foto: ASCOM/NEACA TR
O Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) e o Projeto NEACA Tecendo Redes, que conta com a parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, promoveram, nesta terça-feira (10/03), uma mobilização pública na Praça Doutor Luiz Palmier, conhecida popularmente como Praça do Rodo, no Centro da cidade, em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
Cerca de 50 integrantes, entre associadas, diretoria, voluntárias e funcionárias da instituição, participaram da atividade. Durante o ato, as participantes utilizaram camisas da campanha, entoaram palavras de ordem e realizaram abordagens nos semáforos do Centro e em frente ao Shopping Partage, distribuindo cerca de 10 mil panfletos informativos sobre o combate aos feminicídios.
A ação buscou sensibilizar a população sobre a necessidade de enfrentar a violência de gênero e fortalecer políticas públicas de prevenção. Segundo a gestora do MMSG, Marisa Chaves, a mobilização também é um chamado para que toda a sociedade participe do enfrentamento à violência contra mulheres.
“Fazemos um apelo para que toda a sociedade amplie a prevenção, revendo valores e estereótipos de gênero. Precisamos desconstruir essa cultura machista e misógina que tem feito com que mulheres se sintam ameaçadas e muitas delas sejam vítimas de feminicídio”, afirmou.
Marisa também destacou números preocupantes no país.
“Em 2025 tivemos 1.568 mulheres assassinadas por sua condição de mulher. São números alarmantes que demonstram que estamos vivendo uma verdadeira epidemia de violência”, disse.

Manifestantes ergueram cartazes com símbolos e frases de ordem fazendo alusão ao combate aos feminicídios no Brasil
Foto: ASCOM/NEACA TR
Campanha também direcionada aos homens
Neste ano, a campanha do MMSG também busca dialogar diretamente com os homens.
“Nem todos os homens são agressores. Queremos incentivar uma parentalidade positiva, mostrando homens que demonstram afeto e cuidado com os filhos. O afeto constrói e protege”, destacou Marisa Chaves.
Mobilização por direitos
Para Victoria do Livramento, coordenadora técnica do Projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo, o ato também teve como objetivo reivindicar direitos e políticas públicas.
“Estamos aqui para conscientizar a população de que viver uma vida livre de violência é um direito. As mulheres têm o direito de estudar, trabalhar, decidir se querem casar, ter filhos ou não, sem serem mortas por isso”, afirmou.

Combate ao crime de ódio ligado aos feminicídios foi destacado durante os protestos e orientação às pessoas no evento Foto: ASCOM/NEACA TR
Luta histórica
A diretora executiva do MMSG, Oscarina Siqueira, destacou que a luta contra a violência acompanha sua trajetória de vida.
“Perdi uma grande amiga em 1974, assassinada pelo ex-companheiro. Desde então luto por justiça, por leis e pelo combate à violência contra mulheres.”

Gestora Marisa Chaves (ao centro) liderou a mobilização e fez diversas falas em repúdio às violências contra as mulheres
Foto: ASCOM/NEACA TR
Vozes da mobilização
Durante o ato, participantes também falaram sobre a importância da mobilização.
“Esse movimento é para dar um basta nessa violência. Precisamos alertar e intimidar os agressores”, disse Rachel Rocha, 51 anos, cuidadora de idosos.
“Como homem, sei que precisamos apoiar essa causa. A violência contra mulheres é estrutural e precisa de conscientização coletiva”, disse Eduardo Soares, 54 anos, designer gráfico.
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Além de ajuda internacional da ‘Brazil Foundation’ e a Fundação Rare Beauty, o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, Instituto Profarma, CEDAE e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
Em caso de violência contra a mulher, ligue 180. O atendimento é gratuito, seguro e sigiloso
O MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
SG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)




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