Movimento de Mulheres celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans
- charodri
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Gestora do MMSG, Marisa Chaves, ressalta a urgência pelo respeito às identidades de gênero e à promoção dos direitos humanos
Por Charles Rodrigues

Arte sobre foto/Amanda Soares/MMSG
O Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, marca a luta histórica das pessoas trans e travestis por reconhecimento, cidadania e garantia de direitos.
O Movimento de Mulheres em São Gonçalo reafirma, nesta data, seu compromisso com a promoção dos direitos humanos, com o enfrentamento de todas as formas de discriminação e com a defesa de políticas públicas que assegurem dignidade, respeito e igualdade de oportunidades, em especial no acesso à saúde, educação, trabalho e segurança.
A data chama atenção para a necessidade de enfrentar a violência e a discriminação ainda vividas diariamente por pessoas LGBTQIA+, apesar dos avanços legais conquistados no país.
'A existencia das leis, por si só, não é suficiente para mudar a realidade'
Segundo a gestora do Movimento de Mulheres (MMSG), Marisa Chaves, o Brasil possui um amplo arcabouço jurídico que protege os direitos humanos e coíbe práticas discriminatórias. No entanto, ela ressalta que a existência das leis, por si só, não é suficiente para mudar a realidade.
“Nós temos um Estado Democrático de Direito consagrado pela Constituição Federal e diversas leis ordinárias que coíbem qualquer tipo de violência ou discriminação baseada na identidade de gênero, na orientação sexual, na classe social, nos aspectos geracionais, raciais, étnicos e territoriais. Mesmo assim, ainda localizamos muitos estereótipos, constrangimentos e intolerâncias”, afirma.
De acordo com Marisa, o enfrentamento à LGBTfobia exige ações contínuas de sensibilização da sociedade e formação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento às vítimas.
“Não adianta só ter leis. Nós precisamos sensibilizar a população e formar os recursos humanos que realizam o atendimento”, destaca.
'Rede social como ferramenta de acesso e proteção'
Chaves explica que o Movimento de Mulheres vem aprimorando sua atuação nas redes sociais como estratégia para alcançar pessoas que, muitas vezes, não conseguem acessar os serviços presenciais.
“Estamos, a cada dia, aperfeiçoando nossas redes sociais para chegar onde muitas pessoas não chegam, para que elas percebam que vale a pena pedir ajuda, vale a pena denunciar, inclusive quando a discriminação acontece dentro da própria família”, afirma.
'Caso Amanda Soores expõe a gravidade da transfobia no país'

Cantora e passista Amanda Soares foi assassinada em 2024 após sair de casa no bairro J. Nova República em São Gonçalo
Foto: Divulgação
Durante a entrevista, Marisa relembrou o último caso de transfobia atendido pela instituição. Em fevereiro de 2024, o MMSG acompanhou o caso de Amanda Soares, uma mulher trans, moradora de Sâo Gonçalo, vítima de assassinato brutal.
“A Amanda foi vítima de uma crueldade extrema. O agressor, com quem ela mantinha um relacionamento eventual, planejou deliberadamente o ataque e a esfaqueou”, relata.
Segundo Marisa, o crime evidencia a sobreposição de violências sofridas por mulheres trans.
“Ela foi vítima por ser uma mulher trans, mas também por ser mulher. O agressor respondeu por transfeminicídio, transfobia e feminicídio. Isso mostra que não existe justificativa ou argumento que explique tamanha maldade”, afirma.

Gestora Marisa Chaves durante entrevista para equipe de comunicação do MMSG na sede do NACA/SG no bairro Zé Garoto
Foto: ASCOM/MMSG
'Falta de dados dificulta políticas de prevenção'
Para a gestora do MMSG, outro desafio central é a ausência de dados oficiais sistematizados sobre a violência transfóbica no país.
“Nós precisamos ter índices e estatísticas que se cruzem para termos um diagnóstico nacional. Hoje, esse levantamento é feito quase exclusivamente pela sociedade civil”, aponta.
Ela defende que o poder público assuma a responsabilidade de monitorar esses dados para garantir investimentos em prevenção, assistência e proteção, evitando que mais vidas sejam perdidas.
Brasil: país mais perigoso para a população trans em todo o mundo.
Um dossiê divulgado na última segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revela que pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025. O número apresenta uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes contabilizadas em 2024. Apesar disso, segundo a Antra, o estudo mantém o Brasil pelo 17º ano consecutivo como país mais perigoso para a população trans em todo o mundo.
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
MMSG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)




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