MMSG reúne especialistas para debater os 20 anos da Lei Maria da Penha e os desafios da prevenção à violência contra a mulher
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Roda de conversa destacou a importância do fortalecimento da rede de proteção, da prevenção às masculinidades tóxicas e da construção de políticas públicas para enfrentar a violência de gênero
Por Charles Rodrigues

Encontro lotou o auditório e contou com especialistas nas lutas e conquistas ao combate às violências contra as mulheres
Foto: ASCOM/MMSG
Em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha, o Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), por meio do projeto Rearticulando a Rede Mulher, promoveu, na quinta-feira (6), uma roda de conversa sobre os temas "Aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha" e "Prevenção à masculinidade tóxica". O encontro reuniu cerca de 50 participantes no auditório da instituição, no Zé Garoto, fortalecendo o debate sobre os avanços conquistados e os desafios ainda enfrentados no combate à violência contra as mulheres.
Compuseram a mesa de debates a gestora do MMSG, Marisa Chaves; a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade; a delegada titular da DEAM de São Gonçalo, Ana Carla Nepomuceno; e o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz e doutor em Serviço Social, Daniel Campos.

Marisa Chaves (E), delegada Ana Carla Nepomuceno, Nísia Trindade e o pesquisador Daniel Campos compuseram a mesa
Foto: ASCOM/MMSG
'A Lei Maria da Penha mudou a forma como o Brasil enfrenta a violência doméstica'
Durante a abertura, a gestora do MMSG, Marisa Chaves, destacou que os 20 anos da Lei Maria da Penha representam uma importante conquista das mulheres brasileiras, mas ressaltou que o enfrentamento à violência exige um compromisso permanente de toda a sociedade.
"A Lei Maria da Penha mudou a forma como o Brasil enfrenta a violência doméstica, mas ainda temos muitos desafios. Precisamos fortalecer a rede de proteção, ampliar as ações de prevenção e garantir que nenhuma mulher enfrente esse processo sozinha. É justamente essa articulação entre instituições, poder público e sociedade civil que o Movimento de Mulheres constrói há mais de três décadas", ressaltou Marisa.
Fortalecimento das políticas públicas de prevenção
A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade destacou a trajetória do Movimento de Mulheres em São Gonçalo e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de prevenção.
"Mesmo com os avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha, ainda convivemos com números inaceitáveis de feminicídio. Precisamos fortalecer políticas públicas integradas, investir em educação e prevenção, porque muitas das transformações sociais surgem justamente dos movimentos da sociedade civil", disse Trindade. "É uma alegria conhecer ainda mais de perto o trabalho desenvolvido pelo Movimento de Mulheres, uma instituição que há muitos anos atua em defesa dos direitos das mulheres", acrescentou.

Daniel Campos falou sobre a desconstrução dos modelos de masculinidade, o enfrentamento ao racismo e ao sexismo
Foto: ASCOM/MMSG
'Discutir masculinidades é fundamental para prevenir a violência'
Para o pesquisador e professor Daniel Campos, discutir masculinidades é fundamental para prevenir a violência antes que ela aconteça.
"Não basta atuar apenas quando a violência já ocorreu. Precisamos dialogar com os homens, desconstruir modelos de masculinidade baseados no machismo, enfrentar o racismo, o sexismo e outras formas de violência. O Movimento de Mulheres demonstra sensibilidade ao incluir esse debate, mostrando que a prevenção passa necessariamente pela construção de novas formas de convivência", explicou Campos.
Daniel também ressaltou que o aumento das notificações de violência não significa, necessariamente, que existam mais casos, mas que mais mulheres estão conseguindo romper o silêncio e acessar a rede de proteção.
'A mulher precisa encontrar acolhimento em toda a rede de atendimento'
A delegada da DEAM de São Gonçalo, Ana Carla Nepomuceno, reforçou que denunciar é apenas o primeiro passo e que a mulher precisa encontrar acolhimento em toda a rede de atendimento.
"A mulher precisa ter coragem para romper o ciclo da violência, mas também precisa encontrar uma rede forte que a acolha durante todo o processo. É fundamental que as medidas protetivas sejam fiscalizadas, que haja respostas rápidas da Justiça e das forças de segurança e que continuemos investindo em prevenção. A violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade."
A delegada ainda elogiou o trabalho desenvolvido em São Gonçalo, destacando a integração entre os órgãos de segurança, saúde, assistência social e o Movimento de Mulheres.

Delegada Ana Carla destacou a integração entre órgãos de segurança, saúde, assistência social e o Movimento de Mulheres
Foto: ASCOM/MMSG
Ao final do encontro, os participantes reforçaram que o combate à violência contra as mulheres depende da atuação conjunta entre Estado e sociedade civil, da educação para a igualdade de gênero e do fortalecimento permanente da rede de proteção às vítimas.
Atividades desenvolvidas em escolas públicas e coletivos feministas
O projeto Rearticulando Rede Mulher atua na articulação entre coletivos feministas, serviços especializados de atendimento e a comunidade para fortalecer a rede de enfrentamento à violência de gênero em São Gonçalo. Com base na intersetorialidade, interdisciplinaridade e interseccionalidade, busca ampliar a prevenção, garantir o acesso à informação e construir uma cultura de paz e respeito.
Entre suas ações, o projeto promove rodas de conversa, campanhas educativas e reuniões interinstitucionais, com foco especial na difusão do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios — política pública que orienta ações de prevenção primária, secundária e terciária à violência contra meninas e mulheres.
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Não se cale. Violência contra a mulher não tem desculpa, tem lei. Ligue 180 e denuncie!
Defensoria -O telefone 129 é um número da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), utilizado para atendimento jurídico e assistência para casos de urgência e rotina. Ele é gratuito e pode ser acessado de qualquer telefone fixo ou móvel no estado.
Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
MMSG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)
