MMSG promove capacitação com Thula Pires sobre 'proteção de mulheres em Pretuguês'
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Formação reuniu cerca de 50 profissionais e reforçou o compromisso com práticas antirracistas nos atendimentos
Por Charles Rodrigues

Thula Pires destacou a importância de rever práticas institucionais e atuar na direção da diversidade cultural, racial e étnica
Foto: ASCOM/MMSG
Organizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo realizou, nesta quinta-feira (26/02), uma capacitação interna com a professora e advogada Thula Pires, coordenadora da pós-graduação em Direito da PUC-Rio.
Com o tema “Proteção de Mulheres em Pretuguês”, o encontro reuniu cerca de 50 profissionais de diferentes projetos do MMSG, no auditório da instituição, no bairro Zé Garoto, em São Gonçalo.
Durante a palestra, Thula destacou a importância de rever práticas institucionais, respeitar o legado ancestral e fortalecer uma atuação comprometida com a diversidade cultural, racial e étnica.
A reflexão partiu dos estudos de Lélia Gonzalez, referência fundamental para compreender o conceito de “Pretuguês” , expressão que valoriza as contribuições das mulheres negras na formação da língua e da cultura brasileira.
A professora também abordou o feminismo decolonial e a necessidade de enfrentar o racismo estrutural não apenas como conceito, mas como prática cotidiana. Segundo ela, mais do que fiscalizar palavras, é preciso transformar percepções e modos de atuação:
“Mais do que dar nomes, é impregnar nossa percepção sobre o que o racismo significa. Não basta mudar o vocabulário se não mudamos as práticas e a forma como enxergamos a realidade”, explicou Thula Pires.

Gestora Marisa Chaves enalteceu a capacitação profisional como instrumento de qualificação dos atendimentos no MMSG
Foto: ASCOM/MMSG
Fomação para qualificar o atendimento
A capacitação foi direcionada especialmente às equipes que atuam no acolhimento de mulheres e na mediação de relatos de violência junto a outras instituições. Para Thula, pensar um modelo de proteção em Pretuguês significa garantir que essa mediação não reproduza hierarquias ou novas formas de violência institucional.
A gestora do MMSG, Marisa Chaves, ressaltou a importância da formação para qualificar ainda mais os atendimentos:
“Nossos profissionais saíram mais capacitados para rever o que vêm fazendo nos atendimentos, aprimorar práticas e valorizar os aspectos raciais em qualquer atendimento realizado”, ressaltou Chaves.
Reflexão coletiva sobre identidade e prática profissional
Para Victória do Livramento, coordenadora técnica do projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo, o encontro foi um momento fundamental de reflexão coletiva.
“Refletimos sobre nosso papel na sociedade, especialmente em São Gonçalo, e sobre como podemos contribuir para amenizar os agravos do racismo às mulheres, meninas e a todo o público atendido”, disse a coordenadora.
A assistente social Luciana Vasconcellos destacou a centralidade das mulheres negras na formação social do país e como isso reverbera nas práticas atuais, inclusive no sistema jurídico.
"As nossas culturas foram passadas através das mulheres. A nossa língua foi passada através do cuidado de mulheres pretas para as crianças brancas. Percebemos, através desse estudo, a centralidade das mulheres negras na formação social do país", complementou Luciana.
'Precisamos parar de tratar o racismo estrutural como clichê'
Já o historiador e educador social Romeu Silva reforçou a necessidade de transformar o debate em ação concreta.
“Precisamos parar de tratar o racismo estrutural como clichê e colocar esses ensinamentos em prática”, destaca Romeu.
A iniciativa reafirma o compromisso do MMSG com uma atuação antirracista, decolonial e comprometida com a garantia de direitos, fortalecendo a proteção integral às mulheres e meninas atendidas pela instituição.

Encontro reuniu técnicos de projetos do MMSG e destacou uma atuação antirracista e vinculada com a garantia de direitos
Foto: ASCOM/MMSG
Empreendedorismo negro feminino e o resgate das ancestralidades afro-brasileiras
Realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o projeto contempla ações de prevenção, acolhimento, autocuidado, fortalecimento emocional e geração de renda, além de oficinas voltadas ao empreendedorismo negro feminino e ao resgate das ancestralidades afro-brasileiras, valorizando a história, a cultura e o legado de resistência das mulheres negras.
O Projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo é financiado pela Fundação Banco do Brasil (@fundacaobb).
Territórios de atuação: Jardim Catarina e Complexo do Salgueiro – São Gonçalo/RJ
Instagram: @Movimento de Mulheres em SG
Telefone: (21) 2606-5003

Marisa Chaves e a diretora executiva do MMSG Oscarina Siqueira (ao fundo) falaram dos projetos e da missão do MMSG
Foto: ASCOM/MMSG
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
MMSG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)

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