MMSG celebra o Dia da Mulher Negra com roda de conversa sobre ancestralidade, cultura e protagonismo feminino
- há 11 minutos
- 3 min de leitura
Encontro reuniu cerca de 40 participantes e destacou experiências de projetos sociais em Angola, fortalecendo o debate sobre identidade, direitos e valorização das mulheres negras

Durante evento associadas do MMSG vestiram roupas típicas africanas em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra
Foto: ASCOM/MMSG
O grupo de associadas do Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) promoveu, na terça-feira (28/7), uma roda de conversa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
O encontro aconteceu na sede do NACA São Gonçalo, no bairro Zé Garoto, e reuniu aproximadamente 40 participantes em um momento de reflexão sobre ancestralidade, cultura, identidade e fortalecimento das mulheres negras.
Vestidas com roupas e turbantes africanos, as participantes compartilharam experiências e vivenciaram um ambiente de valorização da cultura afrodescendente. A programação também contou com comidas típicas e um almoço de confraternização.
A convidada especial foi a artesã e estudante de Pedagogia Elenice Bartholomeu, de 64 anos, que apresentou sua trajetória em projetos sociais desenvolvidos em Angola, onde atua nas áreas de alfabetização, incentivo à leitura e educação ambiental por meio da reutilização de materiais recicláveis.
'Minha vocação sempre foi ajudar o próximo'
Segundo Elenice, sua missão sempre esteve ligada à educação e ao cuidado com as pessoas.
"Minha vocação sempre foi ajudar o próximo. Eu desenvolvia um projeto de incentivo à leitura no Brasil e, quando fui para Angola, dei continuidade a esse trabalho. Hoje o projeto cresceu e inclui alfabetização de crianças, jovens e adultos, além de oficinas com materiais reutilizados. É uma forma de contribuir para a transformação social por meio da educação", disse Elenice.
Durante a palestra, ela também apresentou aspectos da cultura angolana, da gastronomia, das tradições e da preservação das línguas locais, ressaltando a importância da valorização das raízes africanas.
"É muito importante falar das nossas raízes e da nossa ancestralidade. Como mulher negra, acredito que precisamos preservar nossa história e continuar lutando pelos nossos direitos. Agradeço ao Movimento de Mulheres pela oportunidade de compartilhar essa experiência vivida em Angola", complementou a artesã.

Grupo de mulheres reunidas com a palestrante (ao centro de turbante azul) em celebração no MMSG no bairro Zé Garoto
Foto: ASCOM/MMSG
'Valorização da mulher negra''
A diretora-executiva do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, Oscarina Siqueira, destacou que a atividade integra a programação do mês de julho, dedicado à valorização da mulher negra, e proporcionou um rico intercâmbio de conhecimentos.
"Conhecemos a trajetória da Elenice ainda aqui no Brasil e acompanhamos a continuidade desse trabalho em Angola. Foi muito importante ouvir essa experiência e perceber como a educação, a leitura e a cultura podem transformar vidas em diferentes realidades. Também pudemos refletir sobre questões como violência contra a mulher, analfabetismo e fortalecimento feminino", ressaltou a diretora.
Oscarina lembrou ainda que Elenice integra o Fórum de Mulheres Negras de São Gonçalo e participou das mobilizações em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
"Essa atividade reforça o compromisso do MMSG com o enfrentamento ao racismo, à violência de gênero e às desigualdades sociais. Valorizar a história das mulheres negras é fortalecer a luta por direitos, igualdade e justiça social", finalizou Oscarina.
Ao promover a roda de conversa, o Movimento de Mulheres em São Gonçalo reafirmou seu compromisso histórico com a promoção dos direitos humanos, da equidade racial e do protagonismo feminino, fortalecendo espaços de diálogo, acolhimento e construção coletiva.
Em homenagem à data, o MMSG reiterou que a luta das mulheres negras é construída pela força da ancestralidade, pela resistência cotidiana e pelo compromisso permanente com uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária.
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
MMSG é uma entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 37 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Além de ajuda internacional da ‘Brazil Foundation’ e a Fundação Rare Beauty, o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, CEDAE, da Fundação Banco do Brasil e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
MMSG- Rua Rodrigues da Fonseca, 201 - Zé Garoto/(21) 2606-5003 /(21) 98464-2179




Comentários