Marisa Chaves debate combate à violência contra a mulher em encontro do Ministério da Saúde
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Gestora do Movimento de Mulheres em São Gonçalo foi uma das atrações no encontro que reuniu cerca de 150 profissionais da saúde e gestores no Centro do Rio

Delegada Rosa Carvalho, articuladora de redes Márcia Natalina (NEACA), Cida Diogo e a gestora do MMSG Marisa Chaves
Foto: Divulgação
A gestora do Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), Marisa Chaves, participou na quarta-feira (11) de um encontro promovido pela Superintendência do Ministério da Saúde no Estado do Rio de Janeiro para debater o enfrentamento à violência contra as mulheres.
A atividade foi realizada no auditório da Superintendência do Ministério da Saúde, na Rua México, 128, no Centro do Rio, e reuniu cerca de 150 profissionais, entre médicos, psicólogos, assistentes sociais, gestores e diretores de unidades hospitalares vinculadas ao Ministério.
O encontro foi organizado a convite da superintendente-geral do Ministério da Saúde no Rio, Cida Diogo, que apresentou inicialmente um balanço das ações da gestão federal no apoio à rede de saúde do estado. Além da gestora do MMSG, a mesa também contou com a presença da delegada Rosa Carvalho (titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher/DEAM na Gávea).
Violência contra mulheres em debate
Após a apresentação institucional, Marisa Chaves foi convidada para abrir o debate sobre a violência contra as mulheres, tema central do encontro.
Durante cerca de meia hora de exposição, ela apresentou um panorama atualizado sobre os indicadores de violência de gênero no Brasil, com base em dados do Ministério da Justiça e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, incluindo estudos recentes sobre feminicídios.
Segundo Marisa, apesar dos avanços nas leis e na criação de políticas públicas, os números de violência continuam alarmantes.
“Avançamos muito no campo jurídico e normativo, mas ainda precisamos avançar na mudança cultural para superar os crimes baseados no ódio contra as mulheres”, afirmou.
Papel dos profissionais de saúde
A gestora do MMSG destacou ainda a importância do papel dos profissionais da saúde na identificação de situações de violência.
De acordo com ela, muitas mulheres procuram unidades de saúde apresentando sintomas físicos e emocionais que, na verdade, são reflexos da violência doméstica.
“Muitas vezes essa mulher chega primeiro à unidade de saúde, mas o profissional não consegue identificar que se trata de uma situação de violência. Ela fala da dor da alma, do medo, da vulnerabilidade, e isso precisa ser escutado”, explicou.
Subnotificação ainda é desafio
Outro ponto dSestacado foi a necessidade de ampliar o preenchimento da ficha de notificação de violência interpessoal e autoprovocada do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), existente desde 2011.
Segundo Marisa, a ausência dessa notificação nas unidades de saúde contribui para a subnotificação dos casos, já que a maior parte dos dados disponíveis atualmente ainda vem da segurança pública.

Gestora Marisa Chaves (D) presenteou Cida Diogo (E) com uma bolsa do Projeto NEACA Tecendo Redes realizado pelo MMSG
Foto: Divulgação
“Precisamos ampliar os registros na saúde, porque a violência contra a mulher é uma violação de direitos humanos, uma questão de segurança pública e, sobretudo, um grave problema de saúde”, ressaltou.
Compromisso coletivo
Durante o debate, vários participantes também se manifestaram sobre a importância de romper o silêncio diante da violência.
Marisa destacou ainda a responsabilidade coletiva no enfrentamento ao problema, incluindo o papel dos homens.
“O silêncio diante da violência também contribui para que ela continue acontecendo. Precisamos assumir um compromisso coletivo para romper esse ciclo”, afirmou.
O encontro contou com ampla participação do público presente e deve gerar novos desdobramentos para fortalecer as ações de prevenção e atendimento às mulheres em situação de violência nas unidades de saúde vinculadas ao Ministério da Saúde.
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Além de ajuda internacional da ‘Brazil Foundation’ e a Fundação Rare Beauty, o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, Instituto Profarma, CEDAE e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
Em caso de violência contra a mulher, ligue 180. O atendimento é gratuito, seguro e sigiloso
O MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
SG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)




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