Exploração sexual de crianças e adolescentes não dá samba, dá cadeia!
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No Carnaval da Prevenção, MMSG reforça que proteger a infância é dever coletivo e crime não é cultura
Por Charles Rodrigues

Arte: ASCOM/NEACA TR/Lucas Ramon
O Carnaval é tempo de alegria, cultura e celebração. Mas também é um período que exige atenção redobrada para a proteção de crianças e adolescentes.
Com o lema “Exploração sexual de crianças e adolescentes não dá samba, dá cadeia”, o Projeto NEACA Tecendo Redes, realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), com a parceria da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, intensifica, durante o Carnaval da Prevenção, ações de conscientização e mobilização social contra uma das mais graves violações de direitos humanos no Brasil.
A exploração sexual de crianças e adolescentes é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/90) e no Código Penal Brasileiro. Quem explora, facilita, intermedeia ou se beneficia dessa prática pode ser responsabilizado criminalmente, com penas que incluem reclusão.
Não se trata de “cultura”, “tradição” ou “brincadeira”: é violência. Segundo dados de órgãos oficiais e entidades de proteção, os períodos festivos — como Carnaval, férias escolares e grandes eventos — registram aumento nas denúncias de violações contra crianças e adolescentes, especialmente em regiões com grande circulação de pessoas.
A combinação de turismo, consumo de álcool e ausência de fiscalização pode ampliar a vulnerabilidade, tornando fundamental o engajamento da sociedade na prevenção.
Aumento de 38% nas violações contra crianças e adolescentes
Segundo a Ouvidoria do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi registrado um aumento de 38% no registro de violações de direitos de crianças e adolescentes no período do Carnaval. Um terço de todas as denúncias feitas nesse período se referem a violência contra crianças. Entre as violências mais comuns em eventos com grande mobilização de pessoas em festas, estão exploração sexual, trabalho infantil, uso e oferecimento de drogas e álcool, desaparecimentos, negligência e abandono. (Fonte: Agência Senado)
Proteção é responsabilidade de todos
O MMSG, por meio de seus projetos e em parceria com iniciativas locais e apoiadores como a Petrobras, atua na orientação de famílias, formação de redes de proteção e distribuição de materiais informativos. Durante o Carnaval da Prevenção, a instituição reforça mensagens educativas, divulga canais de denúncia e mobiliza a comunidade para reconhecer sinais de abuso e exploração.
É importante lembrar:
Criança e adolescente não são responsáveis pela violência que sofrem.
Consentimento não existe quando há menor de 18 anos em situação de exploração sexual.
Troca de favores, dinheiro, presentes ou promessas por atos sexuais com menores de idade configura crime.
Durante a folia, pais e responsáveis devem sair com a documentação das crianças, que devem usar pulseiras com nome e telefone para previnir os desaparecimentos.
Denunciar é proteger
A denúncia é um passo fundamental para interromper ciclos de violência. Qualquer pessoa pode e deve denunciar situações suspeitas ou confirmadas. Os principais canais são:
Disque 100 – Canal nacional, gratuito e anônimo para denúncias de violações de direitos humanos.
Conselho Tutelar do município.
Delegacias Especializadas ou qualquer delegacia mais próxima.
Em casos de emergência, 190 (Polícia Militar).
O sigilo é garantido, e a denúncia pode salvar vidas.
Carnaval é festa. Violação de direitos, não.
Para o Movimento de Mulheres em São Gonçalo, proteger a infância é um compromisso permanente. No Carnaval e durante todo o ano, a instituição reafirma que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada.
“O Carnaval é tempo de alegria, mas também de responsabilidade coletiva. Não podemos permitir que crianças e adolescentes sejam expostos a situações de exploração. Devemos ficar atentos às crianças pequenas (0 a 6 anos), pois ainda não se imagina que elas podem ser alvos de abusos e exploração sexual, mas elas são. Portanto, proteger é um dever de todos nós”, reforça a psicóloga Cristiane Pereira (Coordenadora técnica do Projeto NEACA Tecendo Redes -SG)
Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos
O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.
Além de ajuda internacional da ‘Brazil Foundation’ e a Fundação Rare Beauty, o MMSG recebe apoio das Prefeituras de São Gonçalo e Niterói, da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Ministérios da Saúde e das Mulheres, CEDIM-RJ, Instituto Profarma, CEDAE e da Petrobras, que já financiou 5 projetos, desde 2006, e atualmente, apoia o Projeto NEACA Tecendo Redes, com núcleos de atendimentos em São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias.
Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:
SG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)
NEACA São Gonçalo: Rua Rodrigues Fonseca, 201 – Zé Garoto. (21) 2606-5003 / (21) 98464-2179
NEACA Primeira Infância (SG): Rua Rodrigues Fonseca, 313 – Zé Garoto. (21) 96750-1595
NEACA Itaboraí: Rua Antônio Pinto, 277 – Nova Cidade. (21) 98900-4246
NEACA Caxias: Rua General Venâncio Flores, 518 – Jardim 25 de Agosto. (21) 96750-309




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