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Mais de 25 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica com impactos à saúde mental

Sintomas como depressão, ansiedade, estresse, ideação suicida, distúrbios mentais, entre outros, podem estar diretamente relacionados com relações abusivas e violentas contra as mulheres, conforme o Conselho Nacional de Saúde (CNS). Assunto foi tema de palestra ministrada pela equipe do Neaca Tecendo Redes e organizada pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo


Manifestante segura cartaz durante ato público em combate às violências domésticas e sexuais contra mulheres em SG

Foto: Comunicação/NEACA Tecendo Redes



A transversalidade entre as violências domésticas e os impactos à saúde mental das mulheres, em seus diversos gêneros, foi o tema da palestra ministrada pela equipe do Projeto Neaca Tecendo Redes (SG), em um evento de capacitação aos servidores do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSI), na quinta-feira (04), na sede do equipamento de saúde, no bairro Zé Garoto, no Centro (SG). A ação, organizada pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), contou com apresentações de slides, vídeos e distribuição de materiais informativos.


De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto DataSenado, três a cada dez brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. Mais de 25,4 milhões de brasileiras já sofreram violências provocadas por homens em algum momento da vida. Destarte, muitas das vítimas relataram sintomas como depressão, ansiedade, transtorno do sono ou de estresse pós-traumático, ideação suicida e distúrbios mentais, que podem estar diretamente relacionados com relações abusivas e violentas contra as mulheres, conforme diagnóstico do Conselho Nacional de Saúde (CNS).


‘Temos que refletir sobre a história e as pressões culturais’


Antes de analisar as patologias decorrentes das violências domésticas, a psicóloga Cristiane Neves Pereira afirmou que a relação entre a saúde mental e a violência contra as mulheres passa pelo ‘legado’ de opressão deixado pelo patriarcado (machismo), que colocou a mulher em um papel de subserviência às regras, aos padrões de costumes e à ‘objetificação’ do corpo feminino. Pereira ressalta que essas subjetividades trazem, como consequências, conflitos e iminentes adoecimentos das vítimas, que, em muitos casos, não sabem identificar as violências sofridas ou como saírem das relações tóxicas.  


 “Quando falamos de violência doméstica temos que refletir sobre a história e as pressões culturais que sofremos enquanto mulheres. Desde o nascimento, a mulher é obrigada a seguir uma série de ‘regras’ e padrões de cultura que valorizam a ‘figura’ do homem. Esse ‘legado’ de opressão do patriarcado colocou a mulher em um papel de submissão. Portanto, mesmo sendo vítima de violência ou quando adoece em decorrência dos abusos, em muitos casos, a mulher não consegue identificar o problema ou não sabe como sair da relação tóxica, seja por dependência financeira, pelo receio de perder a rede de apoio ou até por sentir culpada", disse Cristiane Pereira.

"Essa mulher precisa de ajuda e de uma escuta qualificada para romper com o ciclo de violência", completa a psicóloga, que é coordenadora técnica do NEACA Tecendo Redes (SG), projeto capitaneado pelo MMSG com apoio da Petrobras.



Em pé, ao fundo da sala, psicóloga Cristiane Pereira fala durante evento de capacitação na sede do CAPSI/Zé Garoto (SG)

Foto: Comunicação/NEACA Tecendo Redes


‘Muitas mulheres não têm a noção que vivem sob privação de direitos ou violência’


Para fisioterapeuta e técnica de referência em saúde mental Patrícia Raquel de Matos, que atua há 15 anos no Centro de Atenção Psicossocial/Zé Garoto, muitas mulheres atendidas no equipamento de saúde não têm noção que vivem sob privação de direitos ou violência doméstica.


“A falta de informação é um grande problema. Essas mulheres não conseguem ter noção das privações de direitos e muitas não conseguem compreender que estão sendo vítimas de violências domésticas. Daí a importância das rodas de conversas, como ocorrem no MMSG, e do trabalho em rede”, reitera Patrícia.

Prevenção à violência é produzir saúde mental 

  

Ao falar sobre a transversalidade entre a violência doméstica e seus impactos à saúde mental, a psicóloga e coordenadora técnica do CAPSI/Zé Garoto, Patrícia Guimarães Reis, ressaltou a importância da escuta qualificada no atendimento e do diagnóstico ‘contextual’ da situação de cada mulher. Para Reis, a prevenção e o combate às violências produzem saúde mental.


“Não podemos esperar, por exemplo, tratar os casos dos filhos órfãos de mães vítimas de feminicídios. Precisamos fazer um trabalho de prevenção, apontar os indícios de violência e, com o suporte das redes de apoio, fazer as intervenções necessárias. Informação e prevenção à violência são formas de produzir saúde mental”, explica Reis   

Violência psicológica foi relatada por 89% das vítimas, em sua maioria de baixa renda      

      

A pesquisa do Instituto DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), apontou que a violência psicológica é a mais recorrente (89%), seguida pela moral (77%), pela física (76%), pela patrimonial (34%) e pela sexual (25%). Contudo, mulheres com menor renda são as que mais sofrem violência física e estão mais suscetíveis aos impactos à saúde mental, diz o estudo.


Rede de apoio tem sido fundamental no atendimento às vítimas 


Para a assistente social Marlucia Nascimento, que atua em áreas de extrema vulnerabilidade social, a aproximação das redes de apoio, seja por equipamentos públicos ou organizações sociais, tem sido fundamental para o atendimento às vítimas.


“A aproximação das redes de apoio tem sido fundamental para qualificar o atendimento às mulheres vítimas de violência. Estamos conseguindo levar muitas informações, fazendo o ‘link’ com auxílios e benefícios sociais ou encaminhando para outros equipamentos como os centros de atenção psicossociais. Trabalhamos nesses territórios, portanto, não apenas no combate às violências, mas fortalecendo as redes e, através da informação,  mostrando para essas mulheres que elas são sujeitas de direitos”, explica a assistente social, que integra o projeto NEACA Tecendo Redes (SG).

“Em relação à saúde mental, o mais importante é o atendimento à família como um todo e não somente à mulher, ou crianças e adolescentes que atendemos no Capsi. É um trabalho complexo, que envolve profissionais qualificados”, complementa a coordenadora geral do CAPSI/Zé Garoto, a psicóloga Jussara Gonçalves.        




Assistente social Marlucia Nascimento (com material informativo) citou a importância da rede de apoio nos atendimentos

Foto: Comunicação/NEACA Tecendo Redes


Mulheres com transtornos mentais são mais vulneráveis a sofrerem agressões 


De acordo com os dados do Atlas da Violência de 2023, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021 foram registrados 12.202 casos de violência contra pessoas com deficiência (PcD). A pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nesse grupo, mulheres são as mais agredidas, assim como as pessoas com transtorno mental.


As violências mais frequentes enfrentadas pelo grupo são física (40,4%), psicológica (23,0%) e sexual (16,3%). Quase 70% das vítimas com deficiência são mulheres, e cerca de 20% têm entre 10 e 19 anos. Os números mostram que taxas mais elevadas de notificação de violência contra PcD são observadas principalmente no grupo de indivíduos com deficiência intelectual, que registram quase 28 notificações para cada 10 mil pessoas com deficiência. (Fonte: Ipea)


MMSG atende vítimas de abusos e violências domésticas em três municípios


O MMSG está implementando o Projeto NEACA Tecendo Redes, iniciado em 2024, com a parceria da Petrobras, que atende demandas relativas às violências domésticas e gênero. O projeto abrange os municípios de São Gonçalo, Duque de Caxias e Itaboraí e tem como objetivo contribuir para a promoção, prevenção e garantia dos direitos humanos de mulheres, crianças, adolescentes e jovens (até 29 anos).


Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, nos endereços abaixo:


NEACA (SG)- Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)

NEACA (Itaboraí)- Rua Antônio Pinto, 277, Nova Cidade. (21 98900-4246).

 

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