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Heroínas Negras: Projeto do MMSG homenageia Tia Ciata e destaca o protagonismo feminino no samba

  • 24 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de fev.

Roda de conversa reuniu cerca de 30 mulheres em São Gonçalo e contou com oficina de samba da passista da Porto da Pedra


Participantes do evento reunidos com a equipe técnica do projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de SG

Foto: ASCOM/MMSG


Organizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo promoveu, nesta terça-feira (24/2), às 14h, uma roda de conversa com o tema Heroínas Negras, homenageando uma das figuras mais importantes da cultura brasileira: Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida).


A atividade ocorreu no auditório do MMSG, no Zé Garoto, e reuniu cerca de 30 mulheres integrantes do projeto e teve como objetivo resgatar a memória, a resistência e a contribuição das mulheres negras na formação do samba e do carnaval carioca, expressões culturais que se tornaram símbolos do Brasil.


Baiana, nascida no século XIX


Tia Ciata migrou para o Rio de Janeiro ainda jovem, trazendo consigo a força da cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana. Vestida de baiana, vendendo doces nas ruas próximas à antiga Praça Onze, construiu uma trajetória marcada pela persistência e resistência em um período de profundas desigualdades raciais e de gênero.


"Foi em sua casa, na região da Praça Onze, que aconteceram encontros históricos de sambistas e músicos. O espaço se tornou um verdadeiro celeiro cultural. Entre os marcos dessa história está o samba 'Pelo Telefone', considerado o primeiro samba gravado, que teve relação com as rodas realizadas em sua residência'', explicou a historiadora e educadora social Emanuelle Cristine (NEACA/Itaboraí).

Historiadora e educadora social Emanuelle Cristine falou sobre a trajetória da Tia Ciata e seu legado na história do samba

Foto: ASCOM/MMSG


Homenagear Tia Ciata é reconhecer o legado de uma mulher que transformou a história do samba


Durante a roda de conversa, a coordenadora técnica do projeto, Victória do Livramento, destacou a importância da atividade:


“Hoje eu estou muito feliz de realizar essa roda, porque o projeto vem desde novembro planejando atividades voltadas à cultura afro-brasileira. Homenagear Tia Ciata é reconhecer o legado de uma mulher que transformou a história do samba e abriu caminhos para tantas outras”, afirmou.

Ela também ressaltou o impacto do encontro:


“Foi uma tarde cheia de afeto, de cultura e de desconstrução sobre o que é ser mulher, especialmente mulher negra na sociedade. Conseguimos reunir cerca de 30 mulheres em um momento de conhecimento, alegria e fortalecimento”, complementou Victória.

Passista e musa da Porto da Pedra deu uma 'aula' de samba


A programação contou ainda com a participação da passista, dançarina e musa da Unidos do Porto da Pedra, Paolla Nascimento, que conduziu uma oficina de samba.


Paolla destacou a representatividade de Tia Ciata e a importância de manter viva a cultura negra:


“Trazer um pouco da mulher sambista que não para nunca, que leva a cultura do nosso país aos quatro cantos, é reafirmar essa história de resistência. O samba também é território de protagonismo feminino”, disse Nascimento .

Passista, dançarina e musa da Porto da Pedra Paolla Nascimento mostrou seu gingado durante oficina de samba no MMSG

Foto: ASCOM/MMSG


A atividade integrou o calendário de ações culturais do projeto, que desde novembro vem desenvolvendo iniciativas voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e ao fortalecimento da identidade das mulheres negras periféricas de São Gonçalo.


Ao resgatar a trajetória de Tia Ciata, o projeto reafirma que o carnaval — hoje reconhecido mundialmente — tem raízes profundas na resistência e na liderança de mulheres negras.


Empreendedorismo negro feminino e o resgate das ancestralidades afro-brasileiras


Realizado pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), o projeto contempla ações de prevenção, acolhimento, autocuidado, fortalecimento emocional e geração de renda, além de oficinas voltadas ao empreendedorismo negro feminino e ao resgate das ancestralidades afro-brasileiras, valorizando a história, a cultura e o legado de resistência das mulheres negras.


O Projeto Protagonismo de Mulheres Negras das Periferias de São Gonçalo é financiado pela Fundação Banco do Brasil (@fundacaobb).


 Territórios de atuação: Jardim Catarina e Complexo do Salgueiro – São Gonçalo/RJ


Instagram: @Movimento de Mulheres em SG

Telefone: (21) 2606-5003


Desde 1989, em defesa dos Direitos Humanos


O MMSG é entidade da sociedade civil, que atua sem fins lucrativos, fundada há 36 anos (1989), cuja missão é enfrentar todas as formas de preconceitos e discriminações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, credo, classe social e aspectos geracionais. A instituição trabalha em defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosas, em especial, àquelas que são vítimas de diversas formas de violências, seja no âmbito doméstico ou extrafamiliar, ou que estejam vivendo com HIV/AIDS.


Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:


MMSG (SG) - Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)

     



 
 
 

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